Na Revolução Científica (século XVII), o corpo humano, passou a ser visto como uma grande máquina complexa regida por leis físicas.
René Descartes, com seu “dualismo cartesiano”, foi separando a mente (espírito) do corpo (matéria), tratando o corpo físico como um autômato submetido às leis da mecânica. E Isaac Newton, reforçou a ideia de um universo previsível e puramente matemático. E também mostrou a existência da gravidade sem conseguir explicar por que ela ocorria. Então, a história da ciência mostra a existência de algo, mesmo sem saber como funciona.
O mecanicismo transformou a prática médica ao focar na anatomia e fisiologia como peças de um motor.
Fomosmoldados a acreditar no Reducionismo. Onde para entender o “todo” (o paciente), basta estudar as “partes” (órgãos, células, moléculas) isoladamente.
A doença passou a ser vista como um “defeito” em uma engrenagem que precisa ser consertado, removido (por cirurgia) ou compensado (por medicamentos).
O foco recai sobre a patologia biológica, muitas vezes deixando de lado aspectos subjetivos, emocionais ou sociais do paciente.
A “solução” para as limitações do pensamento mecanicista não é descartar a ciência biológica, mas integrá-la a uma visão mais ampla e humana. A principal resposta estruturada para isso é o Modelo Biopsicossocial, proposto pelo médico George Engel em 1977.
Na abordagem Sistêmica, em vez de olhar apenas para a “peça defeituosa” (o órgão), o médico considera a interação entre três pilares:
- Biológico: Genética, sintomas, traumas físicos.
- Psicológico: Emoções, comportamentos e histórico de vida.
- Social: Condições de moradia, trabalho, cultura e rede de apoio.
A Medicina passa a ser centrada na pessoa. O foco muda da “doença” para o “paciente”. O objetivo não é apenas curar o corpo, mas promover o bem-estar integral, respeitando a autonomia e os valores do indivíduo. É como fazer “o caminho de volta pra casa”. O olhar da medicina a partir do espírito que em essência somos. Já não podemos mais ignorar isso.
A Humanização da Saúde, prioriza a empatia, a escuta ativa e o acolhimento. No Brasil, já fizemos progressos importantes com a Política Nacional de Humanização (PNH), que busca transformar a relação entre profissionais e usuários do SUS. E também implementação das Práticas Integrativas e Complementares (PICs): O uso de terapias como acupuntura, meditação e fitoterapia junto ao tratamento convencional, reconhecendo que a saúde depende da harmonia entre diferentes dimensões da vida.
O trabalho em equipe dos médicos, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros) para que o cuidado não seja fragmentado em “especialidades isoladas”.
Hoje a medicina moderna busca o melhor dos dois mundos. Usamos a alta tecnologia, como a Cirurgia Robótica ou o mapeamento genético, para intervir com precisão milimétrica em partes específicas do corpo. E o pensamento sistêmico, onde o médico não olha apenas para o exame, mas para a dieta, o estresse no trabalho e a dinâmica familiar do paciente.
No Brasil, o interesse acadêmico pela Espiritualidade cresceu fortemente a partir dos anos 2000. Hoje, a Associação Médica Brasileira (AMB) possui departamentos voltados para a espiritualidade, e diversas faculdades de medicina, como a Universidade de São Paulo (USP). A USP é pioneira na pesquisa da relação mente-corpo através do PROSER (Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade), vinculado ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
A Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), possuem grupos de pesquisa dedicados, onde integra o tema principalmente através do NUSE (Núcleo de Saúde e Espiritualidade), ligado à Escola Paulista de Medicina. O foco é na Saúde Coletiva e na Medicina de Família. Eles ensinam que o médico deve ser capaz de acolher o sofrimento espiritual sem julgamentos.
Assim como o Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (NUPES), um dos principais centros de referência acadêmica sobre o tema no Brasil e no mundo.
Sediado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ele foi fundado em 2007 e é liderado pelo Dr. Alexander Moreira-Almeida, Professor Titular de Psiquiatria. Um dos pesquisadores mais citados na área, fundador e diretor do NUPES e autor de mais de 170 artigos científicos.
Quão importante é a visão mais ampla do mundo, da nossa existência e sobre si mesmo. Todos nós temos uma consciência além do cérebro. E o que nos proporciona essa visão e conexão é a união da Ciência e Espiritualidade. A ciência tem mostrado que não se trata apenas de acreditar, mas de como se vive, interpreta e organiza a própria experiência no mundo. Alguma fez nos perguntamos quais as características inerentes do ser espiritual que somos?
Sob a ótica das pesquisas de instituições como o NUPES, o “espírito” (ou consciência) não é visto apenas como uma crença religiosa, mas como um princípio inteligente e transcendente que possui capacidades próprias, independentes do corpo físico.
Pesquisas sobre Experiências de Quase-Morte (EQM) investigadas por centros como o NUPES sugerem que a consciência pode ter a capacidade de perceber, raciocinar e recordar mesmo quando o cérebro apresenta atividade mínima ou nula, desafiando a visão estritamente mecanicista.
Nos estudos avançados da mente, a intuição e a percepção são as “antenas” que conectam a nossa máquina biológica à nossa natureza espiritual.
Na medicina, é o famoso “olho clínico”, onde o profissional sente que algo está errado antes mesmo dos exames confirmarem.
Estudos de pesquisadores ligados ao NUPES e a universidades como Harvard sugerem que a intuição utiliza memórias implícitas e uma conexão com o campo relacional do paciente.
A percepção não se limita aos cinco sentidos físicos. Pacientes com alta percepção intuitiva tendem a identificar melhor as causas emocionais de suas doenças. Eles “sabem” o que precisam mudar na vida para curar o corpo.
A medicina moderna tenta equilibrar isso: não ignorar a intuição (percepção subjetiva), mas usá-la como um guia para saber quais exames técnicos (mecanicistas) solicitar.
Resumindo, a percepção é como recebemos os dados do mundo (físico e espiritual) e a intuição é a nossa capacidade de processar tudo isso de forma instantânea para tomar decisões.
